Cantiga de acordar mulher

Das vozes que te embalavam

A esperança de menina

Guardaste mais, de tanto repisadas

As perfumadas lições

Da nobre arte de agarrar um homem,

De como te fazeres desejada,

Amada porventura,

Tudo aprendeste: os gestos, os meneios,

A graça de sorrir e a de calar.

Hoje tens o teu homem

Disposto a desdobrar-se em pão e vinho

Para apagar a tua fome,

Por isso, que lhe hás de dar:

O trigo de tua pele ou as uvas de tua boca?

Se, sem a ponte do amor, tua lavoura é tão pouca...

Acorda: onde estão as vozes que te ensinaram a amar?


Geir Campos


Nenhum comentário: