A minha vida é poética:
Paira entre a vaga mentira e a realidade.
O amor me acontece
Como as folhas às árvores,
E tão singularmente,
Que já nem sei se é natural à árvore ter folhas
Ou estar nua...
Ana Hatherly
(Um Ritmo Perdido, 1958)
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O sangue é um acordo vivo
Meu coração e eu
vivemos juntos
mas não lado a lado
e nunca nos vemos
o sangue é um acordo vivo
que nos ata
(Ana Hatherly)
A verdadeira mão
A verdadeira mão que o poeta estende
não tem dedos:
é um gesto que se perde
no próprio ato de dar-se
O poeta desaparece
na verdade da sua ausência
dissolve-se no biombo da escrita
O poema é
a única
a verdadeira mão que o poeta estende
E quando o poema é bom
não te aperta a mão:
aperta-te a garganta
Ana Hatherly
não tem dedos:
é um gesto que se perde
no próprio ato de dar-se
O poeta desaparece
na verdade da sua ausência
dissolve-se no biombo da escrita
O poema é
a única
a verdadeira mão que o poeta estende
E quando o poema é bom
não te aperta a mão:
aperta-te a garganta
Ana Hatherly
Amor é descanso de busca
Amor é descanso de busca.
Ama e não procurarás.
Pára para viver,
E cega se tudo queres ver:
Amor é descanso de busca.
Deixa de pensar e acredita,
Desprende-te de ti
E assim te encontrarás:
Amor é descanso de busca.
(Ana Hatherly)
Ama e não procurarás.
Pára para viver,
E cega se tudo queres ver:
Amor é descanso de busca.
Deixa de pensar e acredita,
Desprende-te de ti
E assim te encontrarás:
Amor é descanso de busca.
(Ana Hatherly)
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