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Mendiga Voz

Y aún me atrevo a amar
el sonido de la luz en una hora muerta,
el color del tiempo en un muro abandonado.

En mi mirada lo he perdido todo.
Es tan lejos pedir. Tan cerca saber que no hay.

...

E ainda me atrevo a amar
o som da luz numa hora morta
a cor do tempo num muro abandonado.

No meu olhar perdi tudo.
É tão longe pedir. Tão perto saber que não há.


(Alejandra Pizarnik) Tradução de Alberto Augusto Miranda


O vento

O vento é um pedaço de oxigênio disfarçado de fantasma,
 que vagueia a assobiar uma canção que nunca passa de moda. 

(Alejandra Pizarnik)


13


explicar com palavras deste mundo
que partiu de mim um barco levando-me


(Alejandra Pizarnik in Antologia Poética)

La Jaula

Afuera hay sol.
No es más que un sol
pero los hombres lo miran
y después cantan.

Yo no sé del sol.
Yo sé la melodía del ángel
y el sermón caliente
del último viento.
Sé gritar hasta el alba
cuando la muerte se posa desnuda
en mi sombra.

Yo lloro debajo de mi nombre.
Yo agito pañuelos en la noche y barcos sedientos de realidad
bailan conmigo.
Yo oculto clavos
para escarnecer a mis sueños enfermos.


Afuera hay sol.
Yo me visto de cenizas.

(Alejandra Pizarnik)



A JAULA



Lá fora faz sol.
Não é mais que um sol
mas os homens olham-no
e depois cantam.

Eu não sei do sol.
Sei a melodia do anjo
e o sermão quente
do último vento.
Sei gritar até a aurora
quando a morte pousa nua
em minha sombra.

Choro debaixo do meu nome.
Aceno lenços na noite
e barcos sedentos de realidade
dançam comigo.
Oculto cravos
para escarnecer meus sonhos enfermos.

Lá fora faz sol.
Eu me visto de cinzas.

(tradução de Virna Teixeira)

La Carencia

Yo no sé de pájaros,
no conozco la historia del fuego.
Pero creo que mi soledad debería tener alas.

Alejandra Pizarnik


A Carência

Não sei sobre pássaros,
não conheço a história do fogo.
Mas creio que minha solidão deveria ter asas.

(Tradução de Carlos Machado)

Poema


Não, as palavras não fazem amor

fazem ausência

Se digo água, beberei?

Se digo pão, comerei?



Alejandra Pzarnik

Salvação

Se a ilha escapa
e a moça volta a escalar o vento
e a descobrir a morte do pássaro profeta
Agora
é o fogo submetido
Agora
é a carne
a folha
a pedra
perdidos na fonte do tormento
como o navegante no horror da civilização
que purifica a caída da noite
Agora
a moça descobre a máscara do infinito
e rompe o muro da poesia

Alejandra Pizarnik (trad. de Ana Maria Ramiro)