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Poesia III


Belas, airosas, pálidas, altivas,
como tu mesma, outras mulheres vejo:
são rainhas, e segue-as num cortejo
extensa multidão de almas cativas.

Têm a alvura do mármore; lascivas
formas; os lábios feitos para o beijo;
e indiferente e desdenhoso as vejo
belas, airosas, pálidas, altivas…

Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
mesmo às que são mais puras e mais belas,
um detalhe sutil, um quase nada:

falta-lhes a paixão que em mim te exalta,
e entre os encantos de que brilham, falta
o vago encanto da mulher amada.


Vicente de Carvalho

Velho Tema - II

Eu cantarei de amor tão fortemente

Com tal celeuma e com tamanhos brados

Que afinal teus ouvidos, dominados,

Hão de à força escutar quanto eu sustente.


Quero que meu amor se te apresente

— Não andrajoso e mendigando agrados,

Mas tal como é: — risonho e sem cuidados,

Muito de altivo, um tanto de insolente.


Nem ele mais a desejar se atreve

Do que merece; eu te amo, e o meu desejo

Apenas cobra um bem que se me deve.


Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo;

E vou de olhos enxutos e alma leve

À galharda conquista do teu beijo.


Vicente de Carvalho