Non chiederci la parola che squadri da ogni lato
l’animo nostro informe, e a lettere di fuoco
lo dichiari e risplenda come un croco
perduto in mezzo a un polveroso prato.
Ah l’uomo che se ne va sicuro,
agli altri ed a se stesso amico,
e l’ombra sua non cura che la canicola
stampa sopra uno scalcinato muro!
Non domandarci la formula che mondi possa aprirti,
sì qualche storta sillaba e secca come un ramo.
Codesto solo oggi possiamo dirti,
ciò che non siamo, ciò che non vogliamo.
(Eugenio Montale)
.......
NÃO NOS PEÇAS A PALAVRA
Não nos peças a palavra que acerte cada lado
de nosso ânimo informe, e com letras de fogo
o aclare e resplandeça como açaflor
perdido em meio de poeirento prado.
Ah o homem que lá se vai seguro,
dos outros e de si próprio amigo,
e sua sombra descura que a canícula
estampa num escalavrado muro!
Não nos peças a fórmula que possa abrir mundos,
e sim alguma sílaba torcida e seca como um ramo.
Hoje apenas podemos dizer-te
o que não somos, o que não queremos.
(Tradução: Renato Xavier)
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Poesia
I
A angustiante questão
se é a frio ou a quente a inspiração
não pertence à ciência térmica.
O raptus não produz, o vazio não conduz,
não há poesia no sorvete ou no espeto.
Tratar-se-á antes de palavras
muito importunas
que têm pressa de sair
do forno ou do congelador.
O fato não tem valor. Mal estejam fora
olham em volta e têm ar de dizer:
que estou aqui a fazer?
II
Com horror
a poesia recusa
as glosas dos escoliastas.
Mas não é certo que demasiado muda
se baste a si mesma
ou ao aderecista que tropeça nela
sem saber que é
o seu autor.
Eugenio Montale
(tradução de José Manuel de Vasconcelos)
A angustiante questão
se é a frio ou a quente a inspiração
não pertence à ciência térmica.
O raptus não produz, o vazio não conduz,
não há poesia no sorvete ou no espeto.
Tratar-se-á antes de palavras
muito importunas
que têm pressa de sair
do forno ou do congelador.
O fato não tem valor. Mal estejam fora
olham em volta e têm ar de dizer:
que estou aqui a fazer?
II
Com horror
a poesia recusa
as glosas dos escoliastas.
Mas não é certo que demasiado muda
se baste a si mesma
ou ao aderecista que tropeça nela
sem saber que é
o seu autor.
Eugenio Montale
(tradução de José Manuel de Vasconcelos)
Solidão
Se me afasto dois dias
os pombos que bicam na minha sacada começam a se agitar
seguindo as instruções corporativas.
Ao meu regresso a ordem se refaz
com suplemento de migalhas
e para desapontamento do melro
que faz a naveta entre o respeitado vizinho de frente e eu.
A tão pouco se reduziu minha família.
E há quem tenha uma ou duas,
que esbanjamento meu Deus!
Eugênio Montale
(tradução: Geraldo H. Cavalcanti)
os pombos que bicam na minha sacada começam a se agitar
seguindo as instruções corporativas.
Ao meu regresso a ordem se refaz
com suplemento de migalhas
e para desapontamento do melro
que faz a naveta entre o respeitado vizinho de frente e eu.
A tão pouco se reduziu minha família.
E há quem tenha uma ou duas,
que esbanjamento meu Deus!
Eugênio Montale
(tradução: Geraldo H. Cavalcanti)
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