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Para não me veres

Para me não veres -
Na vida - cinjo-me da cerca
Invisível e penetrante.

Cinjo-me da madressilva,
Cubro-me do algodão de geada.

Para me não ouvires
Na noite - com manha de velha
Me dissimulo - e me protejo.

Cinjo-me do restolhar.
Cubro-me de ramagens.

Para que não floresças muito
Em mim - nos silvados enterro-me
Nos livros ainda em vida.

Cinjo-te de fantasias,
Cubro-te de ilusões.

Marina Tsvetaeva
( tradução de Nina e Filipe Guerra)

À Vida

Não roubarás minha cor

Vermelha, de rio que estua.

Sou recusa: és caçador.

Persegues: eu sou a fuga.


Não dou minha alma cativa!

Colhido em pleno disparo,

Curva o pescoço o cavalo

Árabe -

E abre a veia da vida.


(Trad. Haroldo de Campos)



Não colherás no meu rosto sem ruga

A cor, violenta correnteza.

És caçadora - eu não sou presa.

És a perseguição - eu sou a fuga.

Não colherás viva minha alma!

Acossado, em pleno tropel,

Arqueia o pescoço e rasga

A veia com os dentes - o corcel

Árabe


(Trad. Augusto de Campos)


Marina Tsvetaeva