II

Num céu intemerato e cristalino

Pode habitar talvez um Deus distante,

Vendo passar em sonho cambiante

O Ser como espetáculo divino.

Mas o homem, na terra onde o destino

O lançou, vive e agita-se incessante:

Enche o ar da terra o seu pulmão possante...

Cá da terra blasfema ou ergue um hino...

A idéia encarna em peitos que palpitam:

O seu pulsar são chamas que crepitam,

Paixões ardentes como vivos sóis!

Combatei pois na terra árida e bruta,

Té que a revolva o remoinhar da luta,

Té que a fecunde o sangue dos heróis!

Antero de Quental in Odes Modernas

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