Continuidade

Há em certas coisas antigas um vestígio

De nebulosa essência, além do peso e forma;

Um éter sutil, indefinido

Ligado às leis do tempo e do espaço.

Um débil, velado signo de seqüências

Que os olhos de fora descobrir não conseguem;

Suas cerradas dimensões – onde os anos idos se acoitam

Só por secretas chaves se devassam.

Comovo-me quando os raios do sol ao entardecer

Alumiam as velhas casas da quinta frente ao monte

Colorindo de vida as formas que perduram

De séculos mais reais que este que conhecemos.

E nessa estranha luz sino que não estou longe

Dessa massa imutável em que as faces são as épocas.


H. P. Lovecraft (Tradução de Nicolau Saião)

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