Quando passarem os dias,
e não mais se avistar
nosso rosto, e o sereno
modo nosso de olhar,
e a nossa evaporada
voz não viver mais no ar,
e as sombras esquecerem
a que era a do nosso andar,
vai ser doce pensar-se,
- em que secreto lugar? -
nos sonhos que inventávamos,
ternos e devagar,
no perfil que tivemos,
tão fino e singular,
e no louro e nas rosas
que o poderiam coroar,
e nos vergéis que sentíamos,
quando íamos a par,
ouvindo o amor, que nunca
chegou a sussurrar.
(Cecília Meireles)
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