Soneto XXIV


Agora, peço muito que me ajudes

A retornar ao ponto de partida,

Novos olhos revejam minha vida

Antes que ela transborde dos açudes.


Despirei nesse instante as atitudes,

Minha roupa de estrelas já cerzida,

O chapéu de alvoradas e a esquecida

Capa de chuvas e de ventos rudes.


Comigo ficarão unicamente

Os versos que escrevi e as derradeiras

Flores que desfolhaste em minha mente.


Depois, no grande espelho, a tarde é calma:

– Saber que passo além destas fronteiras,

Com meus disfarces já cobertos de alma!



Paulo Bomfim


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