Amargura

Ah! não ser compreendido é a tortura do Artista!

Ofegante, rompendo os joelhos pelas fragas,

Vê, debalde, fulgir, nas nuvens de ametista,

A miragem do ideal, entre as estrelas magas...


Arqueja; o vendaval de angústias que o contrista

Vem-lhe aos olhos sangrar em tristezas pressagas...

Alça a vista: arde o céu tão longe! Baixa a vista:

Tão longe os corações a rolar como as vagas!


E ele, que tem o azul preso no crânio aflito,

Abre em astros de sangue a noite dos abrolhos,

Ergue constelações de rimas no infinito...


Soluça de aflição no deserto profundo,

Tendo os astros no olhar e a noite sobre os olhos,

Tendo os mundos nas mãos sem nada ter no Mundo!...


Moacir de Almeida


Nenhum comentário: