XXII

Tu senhora, eu senhor, ambos senhores

de um pequenino mundo. No caminho,

nunca vi flores em que houvesse espinho,

nunca vi pedras que não fossem flores.


Naquele quarto andar, longe das dores

e tão perto dos céus, com que carinho,

com quanto zelo edificaste o ninho

do mais feliz de todos os amores!


Tudo passou. Um dia, triste e mudo,

deixaste-me sozinho. Hoje tens tudo:

és rica, és invejada, és conhecida...


E eu tenho apenas, desgraçado e louco,

daquele amor que te custou tão pouco

esta saudade que me custa a vida!


Guilherme de Almeida in Nós

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