O Amor é o homem inacabado


Todas as árvores com todos os ramos com todas as folhas

A erva na base dos rochedos e as casas amontoadas

Ao longe o mar que os teus olhos banham

Estas imagens de um dia e outro dia

Os vícios as virtudes tão imperfeitos

A transparência dos transeuntes nas ruas do acaso

E as mulheres exaladas pelas tuas pesquisas obstinadas

As tuas ideias fixas no coração de chumbo nos lábios virgens

Os vícios as virtudes tão imperfeitos

A semelhança dos olhares consentidos com os olhares conquistados

A confusão dos corpos das fadigas dos ardores

A imitação das palavras das atitudes das ideias

Os vícios as virtudes tão imperfeitos

O amor é o homem inacabado.

Paul Éluard, in Algumas das Palavras (Tradução de Antonio Ramos Rosa)

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