Fragmento de um coro

Nós

os de cinza e tempo

nós os de olhar barrado

nós os de céus ardendo

e ventos desfigurados

nós os de mito e queda

nós os de mãos atadas

ecos

desdobrando

gritos

mudos mantos desdobrados

nós silenciados muros

de desesperos caiados

nós cegos irmãos em luto

por mundos manietados

nós sonâmbulos

remotos

nós vagos

só recordados

os estáticos andantes

escuramente pisados

nós os egressos da sede

diuturnamente velada

nós o exílio de nós mesmos

viva lâmpada apagada

nós entre o infinito e o medo

esparsos

desencontrados

nós frios

de cinza e tempo

em tempo e cinza

encerrados


Bruno Tolentino


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