Flautim

Guardaremos juntos
os acertos, breves,
os enganos, fundos,


e aquele remoto
amparar de parcos,
altivos escolhos.


Cairão o signo
e a secreta cinza
desse ardente enigma.


Não lamentaremos
mais que o desencontro
dos humanos termos,


a rápida marca
que o passado imprime
na face, na máscara,


e os puros despojos
que às vezes são versos
e sempre são ossos.


Não diremos nada
dos velhos desejos
que a memória abraça,


sem qualquer palavra
não recordaremos
o que nos pesava,


mas apenas isso
que nos pese ainda:
ter vindo, ter sido.


Bruno Tolentino

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