Choro do poeta atual

Deram-me um corpo, só um!

Para suportar calado

Tantas almas desunidas

Que esbarram umas nas outras,

De tantas idades diversas;

Uma nasceu muito antes

De eu aparecer no mundo,

Outra nasceu com este corpo,

Outra está nascendo agora,

Há outras, nem sei direito,

São minhas filhas naturais,

Deliram dentro de mim,

Querem mudar de lugar,

Cada uma quer uma coisa,

Nunca mais tenho sossego.

Ó Deus, se existis, juntai

Minhas almas desencontradas.



Murilo Mendes

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