O conhecimento de ti mesmo

Ensinaram-te a buscar a Verdade no que é passageiro
E te nutriste de coisas transitórias;
Nestas jamais encontrarás a Felicidade
Pela qual tua alma anseia e sofre.

Mas, como um mergulhador que desce ao fundo do mar,
Em busca da pérola,
Arriscando a vida pela recompensa transitória,
Deves tu também penetrar fundo em ti mesmo,
Em busca da Eternidade.

Como o audaz alpinista, que escala e conquista os altos cumes,
Deves tu também ascender àquela altura vertiginosa
De onde todas as coisas são vistas em suas verdadeiras proporções.

Como o lótus que, rompendo o lodo, ao céu se eleva,
Deves tu também arredar todas as coisas transitórias,
Se queres descobrir aquele Reino da Felicidade.

Como a árvore majestosa, cuja força depende de suas raízes
E alegremente enfrenta os vendavais,
Deves tu também assentar profundamente em ti mesmo
Tua força oculta,
Para enfrentar as vicissitudes do mundo.

Como a rápida corrente conhece a sua nascente,
Deves tu também conhecer teu próprio ser.

Como manso lago azul de ignota profundidade,
Deve ser insondável a tua profundeza.

Como o mar encerra uma multidão de seres vivos,
Em ti jazem ocultos segredos de todos os mundos.

Como na encosta da montanha,
Em altitudes várias, diferentes flores crescem,
Assim também em ti existem
Gradações de beleza.

Como a terra em seu seio abriga
Tesouros que o homem jamais viu,
Em ti jazem ocultos ignorados segredos.

Como a imensa e inesgotável força dos ventos,
Em ti reside imensa e inesquecível energia.

Como os cumes das montanhas alegrados ao sol,
Deves tu exultar
Na Luz do conhecimento de ti mesmo.

Krishnamurti

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