Junco

Sou junco
Delgado e flexível
À beira do banhado.
O vento me verga,
Devagar,
Acaricia minhas flores miúdas,
Os colmos presos
Nas raízes úmidas.
Na tempestade viro chibata
Que açoita o ar
Como louca.
Da margem do brejo
Vejo as árvores da floresta:
Copas altas,
Cobertas de cascas,
Duras, rígidas,
Aproximam-se do fim.
Sou junco tão pequeno,
Tão manso,
Mas cresço.

Raquel Naveira

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