o amor não é de modo nenhum uma receita veloz
com um pouco de água
cenouras
batatas e cebolas
não se fazem manjares.
dão-se algumas cambalhotas
dentro do calor
e fica-se ferido
por não se usar fato de treino
à prova de queimadura
também
não é uma sopa instantânea
nem tão pouco caseira.
exige traje a rigor
bordado a pontos de travesseiro
e o céu com algumas estrelas antes nunca vistas
ao luar
é absolutamente indispensável
ter uma cozinha no universo
e olhar de vez em quando com ternura a terra
deve-se estar primorosamente preparado para chorar
quando se descascam as cebolas
observar com rigor cada lágrima
vertê-la para dentro de uma caixinha
e colocá-la de novo no mar
chuva entre os intervalos da cozedura
é indispensável para lavar a amargura,
algum sol
para a secar
para que a receita se possa tornar um manjar
um pouco de mel
para que o produto final
possa ser assinado não por um homem e uma mulher
mas por duas abelhas
não esquecer
uma sinfonia durante o tempo de permeio
fogo
muito fogo
primeiro forte
depois suave
cultivando sempre e com rigor a devoção alheia
de um ingrediente a outro
devem observar-se as nuvens
a temperatura ambiente
fazer pousio
só depois recomeçar
o movimento
de novo
à semelhança da nostalgia das dunas
reparar ainda se há depósito de lodo.
deve haver.
para que mais tarde possa nascer
da invisibilidade da água
a maravilhosa
flor
o amor não é o que a maior parte julga
Mariah (o mar atinge-nos Blogspot)
2 comentários:
Um grande poema, directo na mensagem " amor não é o que a maior parte julga".
Bem haja.
Surprise:)
Beijo,
maria azenha
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