Alguma coisa paira no ar,
inquieta, viva, móvel:
olhos que nos contemplam,
olhos que nós não vemos.
É o futuro entre luzes,
o amanhã feito árvore
(não semente sem galhos)
o amanhã com seus ninhos.
Aqui tão próximo,
rosto de criança
e olhos de pássaro,
o amanhã nos vê.
Ele nos vê,
nós não o vemos:
escuros como abismos,
cegos como o Sol,
noite adensada em carne,
perdidos de raízes pela terra.
Péricles Eugênio da Silva Ramos
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