Para não me veres

Para me não veres -
Na vida - cinjo-me da cerca
Invisível e penetrante.

Cinjo-me da madressilva,
Cubro-me do algodão de geada.

Para me não ouvires
Na noite - com manha de velha
Me dissimulo - e me protejo.

Cinjo-me do restolhar.
Cubro-me de ramagens.

Para que não floresças muito
Em mim - nos silvados enterro-me
Nos livros ainda em vida.

Cinjo-te de fantasias,
Cubro-te de ilusões.

Marina Tsvetaeva
( tradução de Nina e Filipe Guerra)

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